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Tesouro Verde, alia desenvolvimento econômico à preservação ambiental!

 

          Goiás quer o que resta de suas

          florestas em pé! 

 

Nascente número 1 Rio Araguaia Foto João Faria 02 A 05 6 2010

Para isso cria programa que remunera produtor rural que certificar suas matas em pé dentro de um planejamento de sustentabilidade, desenvolvimento econômico e social

A Secretaria da Fazenda do Governo de Goiás lançou dia 01 de setembro de 2017 o programa Tesouro Verde, que alia desenvolvimento econômico à preservação ambiental, criando condições para que sejam disponibilizados no mercado para comercialização os créditos de florestas, considerados ativos de natureza intangível originários da atividade de conservação e ampliação de florestas nativas tanto públicas quanto privadas.

O programa Tesouro Verde foi instituído por meio da lei 19.763, publicada no Diário Oficial do Estado de 19 de julho de 2017. Para que haja a comercialização é necessário que os créditos de florestas sejam certificados e, posteriormente, homologados por instituições com reconhecimento internacional. Os critérios para certificação devem estar em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), aliando crescimento econômico, inclusão social, preservação do meio ambiente e qualidade de vida.

 

Tesouro Verde 5 Fotos João Faria 01 09 2017

Público qualificado e atento! Afinal ter lucro financeiro e preservar a natureza é um ótimo negócio.

Trata-se de um instrumento econômico que monetiza os bens ambientais intangíveis (florestas nativas preservadas – de natureza privada ou pública) o que possibilita sua comercialização, no mercado de capitais ativos. Através de uma plataforma digital produtores rurais e investidores terão a oportunidade de negociar ativos do Estado, do Brasil e do mundo. Essa plataforma eletrônica deverá entrar em funcionamento ainda no mês de setembro deste ano.

                  COMO PARTICIPAR

Para obter o Crédito  Floresta os produtores rurais precisam se organizar em Núcleos de Desenvolvimento por meio de uma associação com no mínimo 20 participantes, cujo grupo deve possuir uma cobertura de florestas nativas de pelos menos 15 mil hectares em um raio de 200 quilômetros e essa associação deverá ser legitimada em audiência Pública. Este núcleo terá como compromisso preservar 100% do patrimônio ambiental (floresta nativa + estoque de carbono + biodiversidade + recursos hídricos + uso do solo + produção agrícola), um critério da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem como premissa o crescimento econômico com sustentabilidade.

 

Tesouro Verde Moacyr Salomão Representante SEFAZ Go 2 Fotos João Faria 01 09 2017

Moacyr Salomão, proteção ambiental com ferramentas inovadoras!

Atualmente quem está habilitada para conduzir essa certificação é a Brasil Mata Viva, idealizada pela economista goiana Maria Tereza Umbelino, quem desenvolveu a metodologia de quantificar e mensurar essas florestas para serem certificadas. O processo não é simples, mas seguro, garante Moacyr Salomão, gestor governamental de Finanças, gerente da Receita Extra tributária do Tesouro Estadual, principal articulador do programa Tesouro Verde no governo e um dos responsáveis pela sua viabilização. Para Moacyr, “É uma ferramenta inovadora que buscará maior envolvimento da iniciativa privada no trabalho de proteção ao meio ambiente, com a conscientização da sociedade de que os governos, sozinhos, não são capazes de desenvolver essa grande tarefa”.

                 BIOMAS E SEUS VALORES

Cada bioma tem seu valor ambiental que é avaliado a partir dos recursos naturais existentes, em carbono equivalente, bem como a proteção do bioma e serviços de conservação fornecidos pelos proprietários ou ocupantes de unidades rurais. Em média, o Cerrado tem, por hectare, entre 100 a duzentas unidades de crédito de floresta a um valor de mercado atual em torno de R$77,60. Na Região Amazônica, por exemplo, varia de 700 a 900 unidades por hectare. Enfim, os vários biomas podem ser quantificados como florestas, cerrados, campos, savanas, caatingas, entre outros, desde que sejam nativos. Se o produtor for reflorestar o bioma com plantas nativas poderá ampliar seus créditos. O objetivo do projeto Tesouro Verde é alterar o mínimo no meio ambiente nativo do planeta.

                  GANHOS DO PRODUTOR

Com uma renda extra oriunda da venda dos créditos de Florestas, o produtor poderá investir em tecnologia e qualificação de mão de obra, além de se firmar como um protetor da biodiversidade e da produção de água, um dos grandes problemas da atualidade resultado da exploração da terra por meio da retirada da vegetação nativa.

Para Moacyr, “com o recurso extra é possível proporcionar desenvolvimento do produto, a organização do processo de produção, distribuição e logística” segundo as necessidades dos mercados consumidores, com isso incrementar o emprego e a melhoria das condições de vida das famílias e comunidades envolvidas.

 

O produtor recebe por safra, anualmente, os valores proporcionais ao crédito floresta gerados. Ou seja, o crédito floresta passa ser um produto da fazenda e todo ano, graças à conservação da floresta nativa, ele recebe os créditos que estão disponíveis para comercializar no mercado de capitais.

                                 BRASIL MATA VIVA

 

Tesouro Verde Maria Tereza Umbelino 9 Fotos João Faria 01 09 2017

Maria Tereza Umbelino, capitalismo e preservação! Essa equação agora fecha.

Essa ideia de remunerar o produtor rural, que tem a obrigação legal de  preservar, no caso de Goiás, 20% da propriedade rural por meio de reserva legal e ainda manter intocável as APP`s – Áreas de Preservação Permanente, foi da economista Goiana Maria Tereza Umbelino, que há dez anos iniciou o projeto por meio de uma organização denominada Brasil Mata Viva, que juntamente com outros parceiros, principalmente universidades, desenvolveu a metodologia de mensuração do carbono em diversos biomas e atualmente está preparada para conduzir a certificação de áreas de mata nativa.

Essa metodologia científica está registrada na ONU – Organização das Nações Unidas. A certificação das florestas nativas será feita por organizações internacionais e os títulos de Crédito de Florestas poderão ser rastreados em tempo real.

Atualmente a Brasil Mata Viva tem 4 núcleos de produtores rurais com suas florestas certificadas, nenhum no estado de Goiás. Apenas a região da bacia do Araguaia tem um começo de trabalho nesse sentido.

 

Outras regiões do estado já demonstraram interesse em formar núcleos, como é o caso de Bela Vista, onde os produtores já estão discutindo a formação da Associação com o objetivo de certificar as matas que estão em pé naquela região.

Reportagem: Rosimar Silva.

Edição e Fotos: João Faria/ONG Rios Goianos.

 

4 comentários sobre “Tesouro Verde, alia desenvolvimento econômico à preservação ambiental!

  1. Ivo Alcino de Souza

    Sempre defendí a remuneração dos proprietários de áreas rurais, os quais, por iniciativas próprias, ou até mesmo compulsóriamente por força de legislações pertinentes, mantém sob sua guarda e responsabilidades, áreas de reservas que no contexto global oferece benefícios diversos à coletividade e ao bem estar humanitário. Faço parte da associação BRASIL MATA VIVA núcleo de Colider, Mato Grosso e essa iniciativa do Estado de Goiás, explicitada nessa matéria, vem de encontro aos nossos anseios e sem sombra de dúvidas fará justiça, por merecimento, àquela pessoa que sempre foi o guardião desse bem imensurável que perdurará para as gerações futuras, garantindo as preservações de todos os ecossistemas..

    1. João Faria Autor da Postagem

      Bom dia senhor Ivo Alcino,
      concordamos com o senhor, a época em que preservação ambiental era algo sem sentido acabou! Hoje todos nós sabemos que ter uma área natural preservada, além de ser uma forma de manter a propriedade viável no sentido orgânico é, também uma ótima forma de viabilidade econômica. Ferramentas humanas e tecnológicas já temos, agora chegou o momento de implementa-las…

      Agradecemos por sua opinião, grande abraço!

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