Rios Goianos: jornalismo ambiental com DNA goiano

Lucro a Todo Custo x Preservação de Bioma Sustentável!

 

 

   Empreendimentos hidrelétricos precisam respeitar o bioma!

Mesa diretiva

  A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), o Serviço Nacional de

Aprendizagem Rural em Goiás (Senar-GO) e o Centro de Apoio Operacional

do Meio Ambiente e Urbanismo do Ministério Público de Goiás realizaram nesta

segunda-feira, 6 de março, o “Seminário Empreendimentos Hidrelétricos no

Cerrado” no auditório da Faeg, em Goiânia. A coordenação do evento é da

Escola Superior do MP-GO. O presidente da Faeg, José Mário Schreiner, e o

secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Cidades, Infraestrutura

e Assuntos Metropolitanos (Secima), Vilmar Rocha, abriram oficialmente

o evento.

  Elaboração da carta!

  Autoridades do setor ministraram palestras, entre as quais Sevan Naves, da Associação das PCHs de Goiás (“Vantagens na Instalação de Empreendimentos Hidrelétricos em Goiás”), Jordana Gabriel Sara, da Faeg (“Impactos Econômicos de Empreendimentos Hidrelétricos na Bacia Hidrográfica do Meia Ponte”), e Walter Pinheiro, da Minas PCH (“A Instalação de Empreendimento Hidrelétricos em Goiás”). Ao final do seminário, foi elaborada a Carta de Goiás, com as conclusões dos debates.

   Avaliação criteriosa dos impactos!

  De um modo geral, o objetivo do evento foi o de transmitir ao público presente o conceito de que a instalação das PCHs em Goiás traz inequívoco desenvolvimento econômico à região e preservação do bioma existente. Se por um lado, estas centrais hidrelétricas são uma fonte interessante de geração de energia, por outro é preciso avaliar com cuidados seus impactos.

   Os desafios!

  Um dos desafios que se impõem a esta realidade é a seguinte: a vazão dos rios e sua qualidade hídrica são garantia absoluta de abastecimento das PCHs? E como será no período das estiagens – ou melhor, de fortes estiagens que assolam o país graças ao desequilíbrio do clima? A ONG Rios Goianos reconhece a importância dessa fonte de geração de energia, mas defende a sua complementaridade com alternativas, como a energia solar. Um fato curioso, durante o seminário, foi a defesa implacável de Sevan Naves, da Associação das PCHs de Goiás, sobre o funcionamento destas centrais em municípios pobres como Ivolândia e Arenópolis. A PCH Mosquitão, na bacia do Rio Caiapó, está localizada na divisa dos municípios de Iporá e Arenópolis, enquanto a PCH Santo Antônio do Caiapó está fincada em Ivolândia.

  Geração de emprego e renda!

  É fato que tais empreendimentos propiciam geração de emprego e renda, além de movimentar a economia local. A questão, por outro lado, refere-se ao real estado de funcionamento destas centrais. O Estado possui, hoje, 13 PCHs em pleno funcionamento. O perito do Ministério Público de Goiás, engenheiro ambiental Juber Henrique Amaral, apontou problemas nas PCHs citadas acima, tais como impactos no meio físico e socioeconômico e inobservância das leis de proteção ambiental. Em relação ao Rio Meia Ponte, o governo pretende instalar a PCH Mota, empreendimento localizado entre os municípios de Pontalina, Morrinhos, Piracanjuba e Mairipotaba. Que tipo de manancial irá abastecer este PCH? O Meia Ponte e seus afluentes estão em estado acelerado de deterioração, com grau de poluição jamais vista em sua história.

   Cientista criticado por empresários!

  A mortandade de peixes também é assustadora – alguns até ameaçados de extinção, como bem observou em sua palestra o pesquisador Dilermando Lima, da Universidade Federal do Mato Grosso, falando sobre os “Impactos Bióticos de Empreendimentos Hidrelétricos na Bacia Hidrográfica do Meia Ponte”. Como era de se esperar foi duramente criticado pelos empresários do setor. Em suma, ninguém, em sã consciência, pode ser contrário à instalação de PCHs. Mas não podem colocar em risco a flora e a fauna aquática. Todos – empresários, industriais e agricultores – podem ser beneficiados se seguirem elementares regras de desenvolvimento sustentável.

Reportagem: Carlos Alberto Pacheco/ONG Rios Goianos
Foto: Karine Almeida/ Assessoria de Comunicação Social do MP-GO

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