Rios Goianos: jornalismo ambiental com DNA goiano

Rio Dourados: sua luz, água, beleza e alma!

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Você acredita que essas águas, luzes, cores e beleza é o rio Dourados?
O céu azul anil se espelha e reflete as pedras, que cobertas pelas águas parecem
estrelas no firmamento!

Na data, 27 de setembro, comemora-se o Dia Mundial dos Rios. Ao invés de fazer uma simples alusão à data, resolvemos contar uma história que, com certeza, é a história de milhares de rios mundo afora. O rio escolhido foi o Dourados, mais conhecido como córrego. O motivo é bem simples: está localizado em propriedade de um parente e isso permite que tenhamos mais informações para embasar nosso relato. 

Rio Dourados: Começa o combate!

Início de 2004. Meu parente, que aqui vou chamá-lo de Renato, compra uma chácara no município de Abadia de Goiás. Nos fundos da chácara, o Rio Dourados corre mansamente. Foi uma festa só; agora tínhamos um local seguro e confortável para curtimos dias de folga. Com isto passamos a frequentar a chácara e o rio. Neste período, as águas do Dourados eram bem mais limpas e podíamos até tomar um refrescante e delicioso banho de rio. Havia uma grande variedade e quantidade de peixes. Sua mata ciliar era bem composta, a fauna riquíssima, enfim um verdadeiro paraíso!  

Uma guariba fêmea e seu filhote! Dos mais de 15 guaribas que frequentavam a chácara, não sobraram mais que meia duzia! A mãe natureza pede socorro! Imagens produzidas em 2020.

Renato é uma pessoa que ama a natureza. Aos poucos, e com muito trabalho braçal, ele foi recuperando e moldando o terreno da chácara, plantando e replantando! Dizem que existem pessoas com as mãos boas para plantar – esse é justamente o caso de Renato. Sua habilidade, carinho e acerto com as pequenas plantinhas impressionam! O paraíso se tornava cada dia mais incrível. Havia uma fauna rica e diversificada. Os animais silvestres se aconchegavam cada vez mais naquele pequeno espaço da propriedade.  

Recebíamos religiosamente as visitas dos guaribas, ou seja, um bando enorme de pelo menos 15 animais – sua alegria se manifestava pelos seus uivos, gritos e gemidos bem altos. Nas primeiras aparições dos guaribas ficamos todos assustados, pois o barulho era bem intenso. Mas logo percebemos que eles apenas estavam felizes por se sentirem seguros, se alimentarem e não serem caçados covardemente. 

Harmonia fascinante!

A diversidade foi se mostrando dia após dia, a galinha d’água ou saracura do brejo desfilava tranquila com sua família próxima à cozinha da sede. Havia tatus, seriemas, urutaus, tucanos, algumas cobras cipó, corujas, gaviões, até tamanduá bandeira e umas capivaras que foram vistas pelo caseiro da chácara. A harmonia era fascinante, quando o fim do dia se aproximava: era hora de pescar. Armávamo-nos com varas de bambu e minhocas como iscas e a festa começava às margens do rio. Pescava-se lambari, traíra, tilápia, chorão, piau, e um dia pesquei até um pacu. Vivemos dias belos e felizes às margens do Dourados.  

O tucano é uma ave que encanta, apesar de ser um predador de respeito. Como os guaribas ele era abundante as margens do Dourados anos atrás! Hoje é uma visão rara!
O gambá é o terror de um chacareiro! Ele devora com gosto os ovos das galinhas caipiras que encontra. Mas, até ele tem espaço na chácara do Renato
A cobra cipó é uma grande aliada de uma chácara! Controlando infestações de ratos sapos e outros visitantes indesejáveis!

As chuvas!

Na época de chuva ele se transformava. Suas águas avançavam muito e, anos atrás, elas chegaram ao fundo do quintal da chácara. O volume de água, sua força e velocidade, ‘mandava’ um recado bem objetivo: “Eu sou o Rio Dourados e essas águas são a minha alma”. Era bonito e assustador, ao mesmo tempo, ver e ouvir o barulho da correnteza traçando seu caminho. Bem, o tempo segue seu curso e não retrocede, sua jornada é firme, sua lei é marcial!  

Já se passaram praticamente 17 anos. As mudanças aconteceram – umas boas, outras nem tanto. No caso do Dourados as mudanças foram bem significativas. A vida majestosa, águas límpidas, fartura de peixes, abundância de animais e o vigor de sua mata ciliar não existem mais. O progresso, o culpado de sempre, chegou.  

Mas, na verdade, o progresso é o menos responsável. A culpa é nossa! O desenvolvimento econômico é sempre muito bem-vindo, desde que, nós, humanos, o conduzamos com respeito à vida, seja ela de quem for.  

Com poucos metros de distância o rio Dourados nos apresenta várias faces! É como se eu estivesse retratando rios diferentes!

A agonia da morte!

O Dourados morre lentamente não porque o progresso beija sua face e, sim, porque, como sempre, não temos uma mão boa para plantar e conservar a vida. O Renato resume bem esse acontecimento. Segundo ele, todos esses anos lhe ensinaram muito. Mas uma lição o marcou para sempre. Diz ele: “Cuidando de minhas plantas na chácara, entendi que as pessoas são boas em sua maioria. A questão que as atrapalha, em meio à importância do meio ambiente, são duas: a ganância e a avareza. Na mãe natureza nada se perde tudo se renova. O dia em que as pessoas realmente entenderem o significado dessa frase, encontraremos nosso equilíbrio”.  

Hoje a situação do Dourados é seríssima. Suas águas estão bastante poluídas, sua fauna, reduzida a pó, as matas ciliares, apenas pequenos fragmentos que lutam para sobreviver. Áreas residenciais se multiplicam em suas margens. A pressão urbana é tremenda sobre o rio. Ações de preservação e recuperação do manancial são pontuais como as empreendidas pelo Renato.  

Mas, afinal de contas, o Dourados é apenas mais um córrego, não é? Estamos no século 21, não temos tempo e nem precisamos de nos preocupar em recuperar rios, pois temos a tecnologia e ela nos basta!  

Realmente tudo isso é verdade. A raça humana é extremamente bem-sucedida, sua habilidade em se adaptar é fato! Contudo, existe um pequenino detalhe que, de tão pequeno, passa despercebido: se chama vida! A nossa tão valorosa e inegociável vida, para se perpetuar e ser plena precisa de um componente químico a água!  

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Este é o resultado do trabalho braçal de Renato, ele criou um pequeno paraíso que, hoje é um verdadeiro refugio para os animais silvestres da região!

Que é composta por dois elementos químicos: o hidrogênio e o oxigênio. Para formar uma molécula dessa substância são necessários dois átomos de hidrogênio e apenas um de oxigênio, que se unem por ligações covalentes (H-O-H). Nesse tipo de ligação, os elétrons dos átomos são compartilhados. 

A ligação covalente da água forma um ângulo de 104,5° que promove a polarização da molécula. Observa-se que, num processo de interação, o átomo de oxigênio atrai de maneira mais intensa os elétrons do que o hidrogênio, o que gera uma carga parcial positiva no hidrogênio e uma negativa no oxigênio. É a polaridade que garante algumas importantes propriedades da água, tais como seu ponto de fusão e ebulição, bem como a capacidade de dissolver substâncias.  

REFLITAM! Se podemos salvar o rio Dourados. Porquê mata-lo?
Extintos!

Esse pequenino detalhe deveria ser levado bem mais a sério, pois sem água, meus caros amigos, estaremos extintos. Ponto final! O Rio Dourados ainda pode ser salvo e voltar a ser um recurso saudável. Na realidade, ele luta com as quatro únicas armas que lhe restaram: sua luz, sua água, sua beleza e sua alma!     

Texto e fotos: João Faria.

Revisão e edição: Carlos Alberto Pacheco.

2 comentários sobre “Rio Dourados: sua luz, água, beleza e alma!

  1. Mônica Diniz

    Que maravilha de rio…e saber que a própria humanidade o destrói nos leva ao desespero, o que será de nossa geração futura sem conhecer essas belezas?? Precisamos nos unir e juntos conscientizar as pessoas do mal que está sendo feito a natureza, precisamos de vozes para gritar que já chega de destruição.
    Belíssima reportagem, nos faz refletir no futuro!!!

    1. João Faria Autor da Postagem

      Mônica Diniz, reflexão é a palavra chave de nosso trabalho! É através dela que poderemos mudar nossos comportamentos e atitudes para com a mãe natureza. Ficamos muito felizes que você tenha gostado! Sua opinião nos estimula a continuar levando informações e belezas como está, através do fotojornalismo ambiental. Receba nossa gratidão e apreço. Grande abraço!

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