Rios Goianos: jornalismo ambiental com DNA goiano

Rio Meia Ponte e suas réguas de marcações fluviométricas!

Uma visão ampla! Régua fluviométrica e ao fundo, a antiga ponte de madeira que ligava, Nova Veneza a capital goiana. 41,4 Km de distância que eram percorridos a duras penas, por mais de horas. Hoje se leva 51 minutos para realizar a viagem!

FLUVIOMETRIA. É o estudo das águas fluviais (rios, ribeirões, córregos), tendo como principal objetivo determinar o volume de água escoada na unidade de tempo numa determinada seção de um curso d’água, ou somente o nível d’água.

Se já ouviu falar, é improvável que já tenha visto uma régua semelhante ou conheça a sua finalidade. No último dia 10 de outubro, tive o privilégio de conhecer esse importante instrumento de medição e escutar sua história. A princípio, trata-se de um pedaço de pau pintado de preto com marcações em milímetros e centímetros, que parece uma régua de brincadeira de criança. Mas não é!

Nas Profundezas!

Por estar na maioria das vezes submersa, sua função é tão importante que deveria ser municiada de um trabalho exclusivo de acompanhamento de suas informações. Tecnicamente tem! Mas, na prática, a conversa é outra!

O especialista em recursos hídricos Marcos Antônio Correntino, me contou um pouco da história das réguas fluviométricas instaladas por ele às margens do Rio Meia Ponte, na Fazenda Catingueiro, localizada próxima ao setor Balneário Meia Ponte. Em Goiânia existem 4 estações fluviométricas, são elas: 1 da Saneago, instalada na estação de captação do setor Goiânia 2, 1 da Enel antiga Celg, nas dependências do Clube da Usufego, 2 da Agência Nacional de Águas (ANA), uma na fazenda Catingueiro e outra na Colônia Santa Marta. Acompanhe com atenção essa história, pois, ela revela em detalhes como devem ser instaladas corretamente essas réguas.

A natureza é perfeita: apesar de todo tipo de agressão que sofre o Meia Ponte, sua beleza é convidativa! Parece que estamos em um paraíso intocado mas, é alguns metros abaixo da ponte que liga o setor Balneário Meia Ponte ao Campus da UFG!

Trabalho de Profissionais!

Drº Marcos Antônio Correntino, uma vida dedicada na gestão correta dos recursos hídricos goianos e brasileiros!

Correntino detalha: “O Rio Meia Ponte sempre recebeu um cuidado especial de minha equipe. Quando reinstalamos essas réguas, tomamos todos os cuidados técnicos profissionais para que elas fornecessem uma medição exata. Há mais ou menos 30 anos as dificuldades e a tecnologia eram outras. Ainda assim me orgulho do trabalho que realizamos neste local. Pois, até hoje, a medição nesta área é correta. As informações colhidas por estas réguas possibilitaram criar projetos e ações para a preservação do rio; seus dados são de extrema importância na tomada de decisões assertivas e eficazes na recuperação e preservação do Meia Ponte na área urbana de Goiânia”.

Esse simpático cãozinho, era o único guardião das réguas fluviométricas! Como o calor era insuportável, ele resolveu se refrescar no Meia Ponte! Quem dera pudéssemos fazer o mesmo. Que inveja!

Apesar de todo esse esforço do especialista Marcos Correntino e sua equipe da Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), ver o Rio Meia Ponte, outrora cartão-postal de Goiânia, chegar a essa situação, tornando-se um esgoto a céu aberto, nos leva a algumas reflexões. Temos tecnologia, mão de obra especializada, verbas federais, estaduais e dados precisos em mãos. O que falta para que tenhamos um Meia Ponte vivo, forte e pujante?

ESTAÇÃO FLUVIOMÉTRICA (F)

Consiste basicamente na instalação de réguas graduadas, escalonadas ao longo da margem, de tal forma que permita a um observador realizar as leituras de cota do rio. As réguas são amarradas a uma referência de nível (RN).

a instalação parece até simples mas, além do nivelamento das margens. Garantir a segurança das réguas é primordial!

SEÇÃO DE MEDIÇÃO E RÉGUAS

A escolha da seção de medição e local das réguas exige um reconhecimento da calha do rio, o qual deve ser orientado nos seguintes requisitos básicos:

– Trecho reto e ambas as margens bem definidas;

– A seção deve localizar-se fora de remansos;

– Leito regular e estável;

– As réguas devem estar situadas a montante do controle;

– O acesso à seção ocorrerá em condições facilitadas;

– As margens devem ser estáveis;

– Precisa existir um observador próximo à seção de réguas;

– As medições de descargas deverão ser realizadas sempre na mesma seção.

Goiânia 10 de Outubro, a régua não mente! o nível do rio Meia Ponte está abaixo de 50 centímetros! Somos mais de um milhão e meio de pessoas que dependem dessa água. Segundo técnicos, para piorar ainda mais essa situação, esses 50 cm de água, estão 90% contaminados por esgotos domésticos e industriais!

INSTALAÇÃO DA SEÇÃO DE RÉGUAS

Para a instalação das réguas ou lances de réguas devem-se obedecer às seguintes recomendações:

– Fixar as réguas em suporte de madeira de lei;

– Instalar as réguas em local relativamente protegido e de menor probabilidade de ser atingido por troncos arrastados pelo rio;

– Instalar pelo menos duas RNs em locais firmes e protegidas, preferencialmente, em estruturas de característica permanente (rochas, pontes). O primeiro RN deve estar localizado junto às réguas, num nível raramente alcançado pelo rio;

– Os lances das escalas (réguas) precisam ser alinhados numa normal ao eixo do curso d’água;

– O ‘zero’ da escala deverá ficar abaixo do nível mínimo a que possam chegar às águas a fim de se evitar leituras negativas.

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Instalação simétrica! De sua precisão depende a vida de um rio, e das pessoas que precisam dessas águas!

OBSERVAÇÕES FLUVIOMÉTRICAS

As observações nas estações fluviométricas são realizadas diariamente às 7 e 17 horas por um observador que anota às cotas lidas na régua (em centímetro). Sempre que possível, em épocas de cheias, é fundamental realizar maior número de leitura, indicando a hora e a cota atingida pelo pico de cheia. Durante os picos excepcionais, em que a última régua for ultrapassada, o observador deve marcar em lugar firme o nível alcançado pelo rio.

Além das réguas, existe também equipamento automático que envia os dados de cotas ou o nível da água, a cada hora, via satélite.

Em Goiânia existe uma estação fluviométrica instalada em 1975. Esta estação chama-se Montante Goiânia e localiza-se na Chácara Catingueiro, na margem direita do Rio Meia Ponte, cerca de 350 metros a jusante da ponte localizada na rodovia que liga o setor Urias Magalhães à Escola de Agronomia. A estação pertence à Agência Nacional de Águas (ANA) e operada pela Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM). Esta entidade

fornece dados de variação do nível e volume de água. Os dados são utilizados para estudos e projetos ambientais, construção de ponte, usinas hidrelétricas, saneamento e irrigação.

Texto e Fotos: João Faria.

Revisão e Edição: Carlos Alberto Pacheco.

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